Chapter XXIII: Section 1: Each service that has been definitely installed and is in (3)
Matto-Grosso é uma das regiões de menor relevo do continente da America do Sul; alli não se encontram elevações de terreno que constituam verdadeiras montanhas.
As terras elevadas do Brasil tem os seus pontos de culminancia nas cadeias orientaes da Mantiqueira, dos Aymorés e de Espinhaço e vão-se abaixando proporcionalmente d’este lado para o Oeste do Estado de Goyaz e do outro lado são as elevadas massas da cadeia dos Andes que se inclinam para Leste com os seus contrafortes. Diz Elysée Reclus, que separando os dois systemas orographicos, vae serpeando em forma de valle uma planicie intermediaria, que certamente foi outr’ora um estreito maritimo separando as duas ilhas—Brasil Oriental e Andes.
Hoje correm aguas fluviaes na depressão por onde passaram outr’ora as aguas marinhas e a planicie está cheia actualmente de suas alluviôes. O verdadeiro centro da America do Sul está entre as duas cidades de Cuyabá e Corumbá.
Pará os que desconhecem a região, as vertentes são as vezes confundidas com as serras, e em cartas geographicas se desenha uma cadeia de montanhas mais ou menos continua, entre as bacias do Tapajóz e do Madeira, entre as nascentes do mesmo Tapajóz e do Paraguay em seguida, e finalmente entre ainda o Tapajóz e o Araguaya. Comtudo este relevo semicircular não existe senão fragmentado, pois que as elevações que dominam as planicies do alto Paraguay e seus affluentes são na realidade um alto =chapadao= de extractos horisontaes ou mui ligeiramente inclinados e carcomidos pelos rios que descem para o grande Amazonas.
São antes =taboleiros= que montanhas, ou ao menos estas não se elevam senão em alguns pontos do grande planalto, attingindo, aqui e alem, uns mil metros de altura, emquanto a elevação media do proprio paredão é de quinhentos metros.
Assim, o conjuncto orographico do Estado de Matto-Grosso chamado indifferentemente cordilheira dos Parecys, não apresenta aspecto montanhoso senão para o lado do Sul; n’esta face escarpada, a rocha é talhada a pique ou recortada em agulhas, mas do outro lado para o Tapajóz e Xingú, uma encosta longa se estende e vae morrer gradualmente nas planicies do Estado do Amazonas.
D’Orbigny reconheceu na eminencia da parte septentrional do Estado de Matto-Grosso a existencia de camadas pertencentes á edade carbonifera e correspondendo ás rochas da mesma natureza, que do lado opposto da região se apresenta nos contrafortes bolivianos de Santa Cruz de la Sierra. Depois d’este, Hart e Derby verificaram que as partes meridionaes do Araxá, que são as bordas elevadas do planalto, datam provavelmente das epochas paleozoicas, e que alli estão representadas as camadas carboniferas devonianas e siluricas. Leitos fossiliferos encontrados pelo geologo Smith abaixo das collinas da Chapada, 50 kilometros á Leste de Cuyabá, puzeram fora de duvida estes factos. Mais ao Norte, na zona de rochedos que em travessões cortam o Madeira, o Tapajóz, o Xingú, o Tocantins e seus affluentes, as paredes desnudadas pela erosão são todas de formação crystallina: granitos, gneis, porphiros e quartzitos.
As elevações que se desenvolvem na direcção do Sul entre as nascentes do Paraguay e as do Araguaya, em seguida entre o Paraguay e o Paraná, não apresentam as mesmas caracteristicas dos planaltos do Norte. As eminencias da parte Oriental do Estado de Matto-Grosso foram esbarancadas dos dois lados a Leste e Oeste e devastadas por estas excavações lateraes, tomam em certos pontos o aspecto de verdadeiras cadeias de montanhas, e assim é que desenham-se do Norte ao Sul as serras de S. Jeronymo, do Maracajú e Anhanbahy.
Rochas eruptivas, chamadas no paiz =bassaltos=, provavelmente porphyricas, romperam as camadas de grez que compõem as montanhas e parece que formaram pela sua desaggregação “terras roxas,” analogas ás que dão aos fazendeiros de S. Paulo tão copiosas colheitas de café.
Na especie de circo limitado pelo semi-circulo das elevações levantam se massiços isolados, rochas, cujos extractos, visiveis de longe, têm uma regularidade perfeita. Os proprios morros têm pela maior parte formas geometricas: dir-se-ia que se esboroaram vastos lanços, deixando paredões lisos, eguaes aos flancos de uma pyramide. Os cumes horizontaes como se as pontas tivessem sido decepadas por um instrumento cortante correspondem a outros cumes, e vê se que outr’ora faziam parte de um mesmo =chapadao=. Segundo Taunay, que percorreu o paiz, estes massiços de grez, de camadas horizontaes e regularmente superpostas, são formados de sedimentos lacustres coados pelo mar de agua doce que outr’ora cobriu a região.
As ruinas d’estes paredões e das escarpas contribuiram tambem para mudar a phisionomia da paysagem. Os escombros, apanhados e arrastados pelos rios, foram revestir de camadas novas o solo, e muitas saliencias de pedras desappareceram debaixo dos restos esmigalhados das montanhas e outras não mostram senão as pontas por cima doz terrenos de formação mais recente. Massiços que se prendiam aos planaltos e ás cadeias do interior estão agora separados d’ellas, porque suas bases se acham soterradas e elles emergem abruptamente do solo. Estes picos distinctos aos quaes se deu o nome de =itambés=, erigem seus cabeços por cima dum mar de arvores comparaveis a gigantescos edificios erguidos pela mão do homem. A Leste da parte meridional de Matto-Grosso, elles enfileiramse e agrupam-se em archipelagos, depois cada vez mais altos e menos numerosos, á proporção que se caminha para Oeste, ou completamente solitarios no circulo do horizonte, apparecem até nas margens do rio Paraguay e ainda do outro lado do mesmo.
O alto Guaporé, Itenez dos Bolivianos, posto que comprehendido na bacia do immenso Amazonas, como affluente do Madeira pelo Mamoré, pertence especialmente ao Estado de Matto-Grosso, pois que a cidade d’este nome foi fundada nas suas margens e quasi toda a população de Estado se accumulou na depressão, cuja metade occidental este rio percorre. Sua principal nascente, muito ferruginosa, desponta n’uma grota junto á borda do Araxá, e corre primeiro na direcção do Sul, parallellamente a outros rios que descem para o Paraguay; mas ao deixar as ultimas collinas o ribeirão curva-se para Oeste, depois para Noroeste e já engrossado por numerosos affluentes atravessa a planicie, em que está a cidade que se chamou na sua fundação Villa-Bella e hoje se denomina Matto-Grosso.
O Paraguay é um dos rios mais notaveis da Terra como via de navegação, segundo affirma Elysée Reclus; poucos têm um declive mais suave e fraco proporcionalmente a sua extensão. Affirma Castelnau que elle nasce na altitude de 305 metros; nos lugares onde as aguas tranquillas deslizam lentamente para o mar, a altitude dos campos é apenas de 200 metros, e a partir de um ponto situado a quatro mil kilometros do mar, o declive é apenas de cinco centimetros. D’este modo, vapores de pequeno calado podem subir livremente até os confins do Brasil, muito ao Norte das duas Republicas da Argentina e Paraguay e chegar á base do planalto pelo rio principal e pelos seus affluentes, Jaurú, Sepotuba, Cuyabá, S. Lourenço e Taquary. O Paraguay apresenta ainda um phenomeno notavel, que é o do cruzamento de suas nascentes com as dos affluentes do Rio Amazonas.
O Jaurú approxima-se tanto do Guaporé, que seria facil passar por um canal as aguas do rio Occidental para um affluente do Jaurú. Outro tributario do Paraguay, o Aguapehy, só está separado do rio Alegre, que desce para a antiga cidade de Villa-Bella, hoje Matto-Grosso, por um isthmo de pouca largura, de fraco relevo, que segundo Leverger, mede 2400 braças ou 5280 metros. No anno de 1772, e depois, tentou-se cavar um canal em pontos diversos do isthmo, masas obras não chegaram a termo por falta de commercio na localidade. Certamente estradas de ferro, em mais ou menos dias, supprirão a ausencia do canal que ligaria Montevideo ao Pará, passando em grande parte do Estado de Matto-Grosso, e por uma via continental navegavel de 8300 kilometros, segundo refere Bartholomeu Bossi.
O rio Paraguay tern como affluentez principaes os rios S. Lourenço, engrossado pelas aguas do Cuyabá, o Taquary, o Mondego e o Apá, limite este ultimo entre o Brasil e a Republica do Paraguay.
Por occasião das enchentes, seu nivel e o dos seus affluentes eleva-se de dez e onze metros e derrama-se á esquerda e á direita, formando um mar ephemero que se estende ao longe, a perder de vista e se prolonga em =banhados=. Os primeiros viajantes hespanhoes deram o nome de lago Xarayes á baixada onde se esparramam as aguas quasi dormentes dos braços principaes do rio. Este lago tern de extensão cerca de 600 kilometros de Sul a Norte, entre as boccas do Jaurú e as collinas do Fecho-dos-Morros e em certos pontos chega a 250 de largura.
Elle não é permanente, como se pensava outr’ora, mas em qualquer epocha do anno ha trechos alagados que os indios denominam bahias e com razão, pois que são bahias de um antigo mar, que hoje está meio secco, e a maior parte de taes lagoas está em communicação constante com o rio Paraguay, ora por furos lateraes, ora por longos canaes, taes como os denominados lagos de Uberaba, Gaiaba, Mandioré, Caceres, etc. D’entre estes lagos, uns não contem senão agua doce trazida pela innundação fluvial, emquanto outros, que são antigas cavidades outr’ora occupadas por agua do mar, conservam no fundo de seus leitos camadas salinas, que dão ao liquido um sabor caracteristico. É singular que este contraste da natureza das aguas doces ou salinas tambem se produza nos terrenos da vasta planicie, e assim é que campos extensos, cobertos de ricas alluviôes, deram nascimento a mattas cerradas, e o agricultor pode muito bem alli obter colheitas maravilhosas. É certamente por este motivo que os campos de Matto-Grosso tanto se prestam á industria pastoril.
A horizontalidade do terreno, formada pelo centro da depressão do immenso valle, impede que o confluente se conserve em um leito regular, e as aguas escapando por ambos os lados ramificam-se n’um labirintho do rios e falsos rios. Os ramos lateraes seguem por entre as zonas dos =banhados=, até á confluencia do rio Taquary e do rio Miranda, que descem das montanhas de Leste, recebendo o primeiro d’estes, na região superior, um affluente, o Coxim, considerado pelos viajantes como um dos mais pittorescos rios do Brasil. É curioso ver em alguns lugares o Coxim estreitara-se entre paredões a pique, de 50 metros de altura, e as pequenas embarcações correrem sobre elle como no fundo de um vallão que não tem mais de 10 ou 12 metros de largura.
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O clima de Matto-Grosso é relativamente quente nas regiões baixas e alagadas pelas enchentes dos rios, taes como Paraguay; nas regiões dos planaltos o clima é salubre e frio. O movimento das columnas de ar é determinada pela forma de corredor aberto entre a cordilheira dos Andes e as terras altas do Brasil, bem no centro do continente Sul Americano, e por elle são arrastadas; aos ventos tepidos proveniente da região da Amazonia, succedem no inverno ventos que sopram do frio pampa. Nas alturas do circo de chapadões e montanhas que rodeiam a planicie do Estado de Matto-Grosso, o frio desce abaixo do ponto de congelação. As copiosas chuvas trazidas pelo rebojo dos ventos que contornam o planalto central do Brasil e vem esbarrar nos primeiros contrafortes dos Andes, cahem com muita regularidade no verão e são frequentemente acompanhadas de trovoadas.
Consoante alguns observadores, a queda da agua annual é de 3 metros, e em Cuyabá contam-se mais ou menos 135 dias de chuva por anno medio.
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O Estado de Matto-Grosso, pela sua situação geographica no continente Sul Americano, collocado no ponto de separação das duas grandes bacias do Brasil, reune ao mesmo tempo as floras e as faunas da região da Amazonia e das regiões Platinas. Entretanto, a flora tropical predomina com sua infinita variedade de formas vegetaes em todas as regiões das florestas, isto é, á beira dos rios, e entre as especies famosas habitantes das margens do Rio Mar, poucas ha que não estejam representadas na região do alto Guaporé, ou das quaes se não encontrem congeneres.
Em nenhuma parte se desenvolve como alli as palmeiras Cipós, e em 1875 uma commissão de limites descobriu uma d’estas palmeiras =Urumbamba (Calamus procumbeus) ou Desmoncus rudentum= de Martius, com mais de 200 metros de comprimento e apenas com a grossura de um centimetro! O algodoeiro o tabacco, a ipeccacuanha, chamada alli =poaya= nascem espontaneamente nas planicies e nas florestas; esta ultima sobretudo colhem-na nas florestas do alto Jaurú e dos rios visinhos. O mate, a mais notavel das plantas da zona meridional e que faz a riqueza de algumas regiões como do Estado do Paraná, cresce alli espontaneamente entre Miranda e o rio Apá, sem fallar propriamente da seringueira, que é encontrada em immensas e cerradas florestas n’uma extensão comprehendida desde Cuyabá até o Madeira, e a qual fará o assumpto especial d’este ligeiro exposto.
As madeiras de construcção são abundantissimas e em grande variedade, podendo-se citar o pao-brasil, o jacarandá, a peroba, a canella, o cedro, o jequitibá, a massaranduba, o pao-d’arco, o pao-ferro, o pao-setim, o vinhatico, etc.
Entre os animaes, encontram-se os veados, as antas e as onças, alem de um grande numero de outros pequenos, proprios das regiões tropicaes. As aves e os passaros, aves ribeirinhas e passaros cantores das florestas, são pela sua variedade quasi innumeros. A avestruz vinda das regiões dos pampas chegou as planicies marginaes do alto Paraguay; os peixes abundam n’uma riquissima e magnifica variedade nos grandes e pequenos rios.
No reino mineral, o Estado de Matto-Grosso possúe minas numerosas de ouro, prata, platina, cobre, estanho, chumbo, mercurio, carvão de pedra, ferro, pedras, preciosas, diamantes, &c., existindo já quatro companhias inglezas na exploração de minas de ouro. Ha tambem granitos, crystal de rocha, malacacheta, pedra calcaria, sal-gemma, &c. Finalmente nas regiões do Araxá, ha fontes de aguas mineraes sulphurosas.
O Estado de Matto-Grosso é a região do Brasil onde se encontram as maiores fazendas de gado, não só em extensão territorial, como em numero de cabeças de gado vaccum e cavallar, havendo algumas que contam cem mil cabeças. Calcula-se o numero de cabeças de gado vaccum em Matto-Grosso em dois bilhões e quinhentas mil.
Nos dias que correm, ainda é um pouco difficil o transporte de gado de Matto-Grosso para o Rio de Janeiro, principalmente, e a exportação é feita pelo caminho de Oeste até Uberaba, onde a invernada se faz em dois ou trez mezes, até que os animaes se refaçam e possam ser conduzidos em caminho de ferro até o littoral do Rio de Janeiro. Vê-se, entretanto que, com a terminação da via ferrea Noroeste do Brasil, o problema do transporte para o littoral será resolvido, assim como a Madeira Mamoré Railway, contando Matto-Grosso presentemente com rios navegaveis e dentro de bem pouco tempo com a via ferrea de que já fallamos, de S. Luiz de Caceres á antiga cidade de Matto-Grosso, donde começa a ser navegavel o rio Guaporé até Guajará-Mirim, ponto terminal da Madeira Mamoré Railway, resolverá tambem o problema da exportação de gado para os Estados do Amazonas, Pará, &c.
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D’este leve exposto conclue-se que o territorio do Estado de Matto-Grosso é grandemente rico de gado e ouro, de diamante e café, de tabaco e mate, de borracha e ipecacuanha e de todos os productos dos tropicos e das zonas temperadas:—elle só bastaria para constituir um dos mais vastos e mais opulentos imperios do mundo!
Dotado de um clima, se bem que quente ao Norte, porem temperado e mesmo frio nas demais regiões, como a dos planaltos, apresentando um accumulo de riquezas raro e ainda pouco explorado como está, forçosamente para lá o homem das diversas partes da Terra, na sua constante actividade, na sua crescente lucta pela vida, immigrará e concorrerá com a intelligencia e com o esforço do trabalho, para fazer d’aquella parte do Brasil um grande emporio de industrias, commercio, navegação, caminhos de ferro e conseguintemente uma grande nascente de civilisação, donde, pela fusão das diversas raças, o mesmo homem surgirá sempre grande, sempre vencedor no immenso concerto e na elevada harmonia da Vida e da Terra!
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A borracha que se vê n’esta Exposição é extrahida e vinda toda das vastas regiões cortadas pelos rios Machados, ou Dgy-Paraná, Jamary, Jacy-Paraná, Mutum-Paraná, Paca-Nova e Guaporé com seus affluentes, aquelles a seu turno affluentes do grande rio Madeira, em cuja margem direita está situado o novo Municipio e Comarca de Sto. Antonio do rio Madeira, installado em 2 de Julho do anno corrente.
O novo Municipio tem os seguintes limites: partindo da cachoeira de Sto. Antonio no rio Madeira, no parallelo de 8° 48′, o rio Madeira acima; o rio Mamoré acima até a foz do Guaporé no parallelo de 12, este parallelo até a sua intersecção com o rio Camararé; este rio abaixo até a sua confluencia no Juruema; este rio abaixo até o ponto em que se reune ao Arinos; o parallelo que n’este ponto passa até a sua intersecção com o rio S. Manuel; este rio abaixo até sua confluencia no Tapajóz; e d’este ponto até encontrar a cachoeira de Sto. Antonio no Rio Madeira a linha que extrema os territorios dos Estados de Matto-Grosso e do Amazonas.
Todo o immenso territorio do novo Municipio é cortado ao Norte pela Madeira Mamoré Railway, que conta 365 kilometros de via ferrea já construidos, partindo de Porto Velho no Estado do Amazonas, distante 7 kilometros da sede propriamente do Municipio, até Guajará-Mirim.
A via ferrea Madeira Mamoré, alem das estações já construidas, em Porto Velho, Candelaria, Sto. Antonio, Jacy-Paraná, Abunã, Villa Murtinho e Guajará-Mirim, tem 46 pontos de parada que correspondem ao numero dos seus acampamentos.
Entre as vias de communicação do novo Municipio de Sto. Antonio do rio Madeira com os visinhos Estados do Amazonas e Pará e tambem com a capital e outras cidades do Estado de Matto-Grosso, comecemos por dizer algo da linha telegraphica ora ainda em construcção por conta do Governo Federal e da respectiva estrada de rodagem. São duas as turmas de engenheiros e operarios que constroem a linha telegraphica, uma partida do Norte—Sto. Antonio—e outra do Sul—Diamantina. Partindo de Sto. Antonio, a linha telegraphica segue o parallelo 8° 48′ até encontrar o rio Jamary, n’uma extensão de cerca de sessenta kilometros; ahi chegando desvia se para o rumo das cabeceiras do rio Dgy-Paraná, no lugar denominado Urupá, onde se deve encontrar com a turma do Sul e onde a ligação será feita. A 3 de Junho de 1912 na mais alta cabeceira do rio Dgy-Paraná, já foi inaugurada a estação telegraphica de José Bonifacio, pela turma do Sul, emquanto a do Norte tambem já inaugurou em data anterior as estações de Sto. Antonio do rio Madeira e Jamary. Este emprehendimento notavel está sob a intelligencia e extraordinaria dedicação do snr. Coronel de Engenheiros do Exercito Brazileiro, Candido Rondon, que tem o record das construcções de linhas telegraphicas no Brasil e quiçá na America do Sul.
Prompta dentro de um anno, mais ou menos, a linha telegraphica marginará uma estrada de rodagem de 40 metros de largura, de cerca de duzentas leguas de extensão a partir de Cuyabá até Sto. Antonio do rio Madeira. Esta immensa via de communicação cortando todo um vasto sertão sobretudo rico em borracha e ouro, terá de dez em dez leguas uma estação telegraphica.
Em Porto Velho, ponto inicial da Madeira Mamoré Railway, ha já por sua vez funccionando uma poderosa estação radiographica do systema Marconi e que se communica diariamente com Manáos e já se tem communicado mesmo com Iquitos e com os Departamentos Federaes do Acre, do Purús e do Juruá.
Quanto á navegação de Manáos até Sto. Antonio do rio Madeira, ella é feita em boas condições e em navios confortaveis. Nas aguas baixas, isto é, nos tempos da secca do grande rio Amazonas e seus affluentes, sobem de Manáos até aquelles pontos os navios de tonelagem até 500, nos tempos de aguas altas, em que o valle do Amazonas todo se alaga, navios transantlaticos de 7 mil a nove mil toneladas sobem de Manáos até alli, em quatro dias de viagem, como já tem succedido no transporte de materiaes para construcção da Madeira Mamoré Railway, acostando facilmente em 2 caes feitos de madeira de lei, o primeiro construido em frente as officinas de Porto Velho e o segundo em Candelaria. Por sua vez o Governo da Republica está resolvido a construir um caes de pedra e cal entre Porto Velho e Sto. Antonio.
Os pequenos navios que navegam durante a secca dos rios, teem accomodações para passageiros de 1.ª e 3.ª classe, são illuminados á luz electrica, possuem fabricas de gelo e fazem bem a viagem de Manáos a Porto Velho e Sto. Antonio em cerca de 5 dias, com uma media de velocidade de 10 milhas por hora, fazendo escala por pequenos portos e cidades amazonenses, situadas nas margens do rio Madeira. Na descida tanto dos grandes transantlaticos como dos pequenos navios de 500 toneladas, a viagem se faz mais rapidamente, em 3 e 4 dias.
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A borracha de Sto. Antonio do rio Madeira é da mesma natureza phisica e chimica de toda borracha do valle do Amazonas, e esta asserção salta á vista, quando nos lembramos que a parte do Estado de Matto-Grosso occupada pelo novo Municipio é justamente aquella limitrophe dos Estados do Amazonas e do Pará.
Na parça de Manáos, para onde vem o producto pela via do rio Madeira, e na de Belém do Pará onde é enviada pela via do rio Tapajóz, ella é sempre cotada pelos mesmos preços e nas mesmas condições das produzidas propriamente nas regiões da Amazonia.
A sua producção, que vem num crescendo desde o anno de 1906, é actualmente de cerca de 2 milhões de kilos annuaes, que augmentará certamente numa proporção—impossivel desde já de ser prevista—com a presença e o desenvolvimento da Madeira Mamoré Railway, da estrada de rodagem da linha telegraphica e os progressos constantes da navegação.
No. 1ro. semestre do anno fluente a producção da borracha foi superior a de não importa qual seja o anno desde 1907, conforme se verifica do quadro estatistico annexo.
N’aquellas regiões, comprehendidas desde Cuyabá até a sede do novo Municipio, existem seringaes capazes de produzir por si sós dentro do periodo de um anno, mais de quarenta milhões de kilos de borracha.
Pará attingir a este ideal, bastaria que os capitaes concorressem para exploração de uma industria extractiva, cuja fonte brota espontaneamente da terra sem carencia de cultivo e para animar e estimular aquelles que desejam ali empregar os seus esforços e capitaes, ahi está a lei do Governo do Estado de Matto-Grosso, que offerece favores especiaes aos que, alem propriamente da exploração dos vastos seringaes já existentes, se quizerem dedicar ao plantio e cultivo da mesma =syphonia= elastica.
Tratando-se uma exposição de borracha em New-York, é justo chamarmos a attenção dos que nos queiram ler para o facto bem importante da concorrencia que já começa dos capitaes norte-americanos para a exploração d’aquella região.
O grande capitalists Percival Farquhar, americano do Norte, já incorporou duas companhias sob as razões sociaes de Julio Muller Rubber, e Guaporé Rubber, com o fim não só de explorar a industria extractiva de =hevea brasiliensis=, como tambem para os diversos ramos de agricultura attinentes ao fabrico do assucar, dos tecidos de algodão &c. &c.
Actualmente a extracção da borracha nos vastos seringaes do Municipio de Sto. Antonio do rio Madeira occupa cerca de cinco mil trabalhadores, mas este numero augmentará cada vez mais, positivamente, á proporção que o referido Municipio se for tornando o ponto de convergencia para onde affluirão as correntes commerciaes, industriaes e agricolas dos centros de Matto-Grosso e da Republica da Bolivia.
Isto é facil de imaginar, quando vemos que a estrada de ferro Madeira Mamoré por seá em communicação para o Sul com S. Luiz de Caceres por meio do rio Guaporé e da estrada de ferro que de S. Luiz de Caceres irá até á antiga cidade de Matto-Grosso, ligando assim a bacia do Prata de intermedio o rio Paraguay—á bacia do rio Amazonas, e para Leste, a mesma Madeira Mamoré Railway levará os seus trilhos até Ribeira-Alta, ligando as vastas e riquissimas regiões da Republica Boliviana tambem á bacia do Amazonas, de intermedio o rio Madeira. Presentemente, parte para aquella região o Engenheiro chefe e Director da Madeira Mamoré Railway, Mr. H. Dose, que vai dar começo a construcção do referido ramal de Guajará Mirim—Matto-Grosso—á Ribeira Alta-Bolivia—, que ficará concluida dentro do praso de um anno e meio e terá cerca de cem kilometros de extensão.
Accrescendo a isto ainda a construcção prompta, dentro de um anno, da grande estrada de rodagem da linha telegraphica de Cuyabá até Sto. Antonio do rio Madeira, poderemos facilmente imaginar o que n’um futuro, que nada faz pensar será muito remoto, irá ser o novo Municipio de Sto. Antonio do rio Madeira, como um verdadeiro e incontestavel ponto de convergencia de tão fortes e ricas correntes de desenvolvimento de progresso e de civilisação.
Antes de terminar, não devemos esquecer que o territorio em questão não se presta somente á producção da gomma elastica, que aliás como em todo o valle do Amazonas é agreste e nasce á lei da natureza. Convem dizer que alli, alem do cacao e do algodão, que tambem são agrestes, podem ser plantados e cultivados a canna de assucar, o café, a baunilha, o milho, o feijão, o arroz, o tabaco, a batata, a castanha, &c.
A propria Madeira Mamoré Railway Co., concessionaria de uma vasta faixa de terra á margem de sua linha ferrea, pensa em fazer o plantio do cacao, da canna de assucar, &c., &c., aproveitando os referidos terrenos.
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De tudo o que fica exposto em linhas bem ligeiras e nas quaes procuramos nos approximar sempre da verdade, dando noticias sobre a região em questão, pode-se concluir facilmente que só o novo Municipio de Sto. Antonio do rio Madeira, que exporta actualmente para o commercio mundial, via Pará e Manáos, cerca de 2 milhões de kilos de borracha, passará a exportar dentro de poucos annos, sobretudo com a immigração que todos os factores nos levam esperar, de 10 a 15 milhões.
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O auctor d’este exposto pede indulgencia para as lacunas que nelle forem encontradas:—foi escripto nos raros momentos livres ao trabalho fatigante de organisar a exposição das amostras de borracha até o respectivo embarque em Manáos para New-York.
As amostras da borracha de Matto-Grosso que figuram no recinto da Exposição, são expostas por ordem do Governo, pela benemerita Associação Commercial do Amazonas.
ESTADO DE MATTO GROSSO
DELEGACIA FISCAL DO NORTE
QUADRO DEMONSTRATIVO DA PRODUCÇÃO DA BORRACHA DOS VALLES DO MADEIRA E ALTO TAPAJÓZ NOS ANNOS de 1907 a 1912, EM COMPARAÇÃO COM A MESMA PRODUCÇÃO NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 1912.
Procedencia 1907 1908 1909
Machado e Jamary 1.092454 1.252194 910982
Jacy Paraná Alto Madeira e Moré 98464 152713 150759
Alto Tapajóz 156034 167841
-------- -------- --------
1.190918 1.560941 1.229582
Procedencia 1910 1911 1912
só o lo.
semestre
Machado e Jamary 1.295605 1.317917 1.315995
Jacy Paraná Alto Madeira e Moré 142458 201562 259612
Alto Tapajóz 107458 73688 113453
-------- -------- --------
1.545521 1.593167 1.689060
STATE OF BAHIA
EXHIBITS OF THE STATE OF BAHIA AT THE INTERNATIONAL RUBBER EXHIBITION IN NEW YORK, 1912
STATE OF BAHIA.
1 bale of 100 kilos of superior maniçoba rubber.
1 bale of 100 kilos of first quality maniçoba rubber.
1 bale of 100 kilos of second quality maniçoba rubber.
1 bale of 50 kilos of superior mangabeira rubber.
1 bale of 50 kilos of first quality of mangabeira rubber.
1 package of 20 kilos of caucho rubber.
Various statistical tables, photographs, diagrams and a panoramic view of the City of Bahia.
Books and pamphlets concerning the natural resources of the state.
BY S. HESS & COMPANY.
Samples of the various kinds of native rubber of Bahia.
Two sacks of the seed of the maniçoba rubber tree cultivated in Bahia.
Specimens of the maniçoba tree.
BY F. STEVENSON & COMPANY, LTD.
1 bale of 100 kilos of superior maniçoba rubber from Jequié.
BY M. ULMANN & COMPANY.
1 bale of 50 kilos of superior maniçoba rubber.
1 bale of 50 kilos of first quality maniçoba rubber.
1 bale of superior mangabeira rubber.
1 package of caucho rubber from the State of Bahia.
BY VON DER LINDE & COMPANY.
Specimens of the various kinds of rubber, from the State of Bahia, in a glass case.
BY MORAES & COMPANY.
1 bale of 100 kilos of superior maniçoba rubber.
By JOSÉ C. DA COSTA SANTOS.
1 bale of superior maniçoba rubber.
1 bale of first quality maniçoba rubber.
1 bale of second quality maniçoba rubber.
Specimens of the various kinds of rubber of Bahia.
STATE OF ALAGOAS.
Specimens of various kinds of rubber.
Specimens of the rubber grown in JARAGUA.
These specimens were sent by Mr. Americo Mello, representative of the Commercial Museum of Rio de Janeiro, in the State of Alagoas.
STATE OF PERNAMBUCO.
Two large packages of the various kinds of rubber grown in the State. These were sent by Dr. Antonio Valenca, representative of the Commercial Museum of Rio de Janeiro, in the State of Pernambuco.
STATE OF MINAS GERAES
STATE OF MINAS GERAES—PROVISIONAL NOTE
EXHIBITS
1. Wild Manisoba (Manihot) Rubber in the raw and cleaned market condition.
2. Planted Manisoba Rubber, viz.: (a) Fine; (b) Seconds; (c) Scrap.
3. Photographs taken on the San Francisco River, the rubber region of the “Highlands of Brazil.”
4. Photographs of Rubber Trees, viz.: (a) Manihot Glaziovii; (b) Manihot Heptaphylla; (c) Manihot Piauhyensis.
5. Photographs of Bello Horisonte, capital of the State of Minas Geraes, and of other localities of importance and general interest. Maps of the State and Climatological Charts.
BRAZIL DAY
Saturday, September 28
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Brazil, the land of rubberChapter XXIII: Section 1: Each service that has been definitely installed and is in (3)
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