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Chapter IV: Originality and Influence (3)

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_Z._ Danor, dime, he Cardeal
Darruda ou de Caparica?

_D._ Nenhũa cousa lhe fica
170 senam sempre o vaso tal,
tem um grande Arcebispado
muito honrrado
junto da pedra da estrema
onda põe a diadema
175 & a mitra o tal prelado.
Ladram, sabes o Seyxal
& Almada & pereli?
Oo fideputa alfaqui
albardeyro do Tojal.

180 _C._ Diabos, quereis fazer
o que eu quiser
por bem ou de outra feyçam?

_D._ Oo fideputa ladram
auemoste dobedecer.

185 _C._ Ora eu vos mando & remando
pollas virtudes dos ceos
polla potencia de Deos,
em cujo seruiço ando,
conjurouos da sua parte
190 sem mais arte
que façais o que eu mandar
polla terra & pollo ar,
aqui & em toda a parte.

_Z._ Como te vai com as terças?
195 É viuo aquelle alifante
que foy a Roma tão galante?

_D._ Amargamte a ti estas verças?

_C._ Esconjurote, Danor,
por amor de sam Paulo
200 e de sam Polo.

_Z._ Tu não tens nenhum miolo.

_C._ Eu vos farey vir a dor.
Por esta madre de Deos
de tão alta dinidade,
205 & polla sua humildade,
com que abrio os altos ceos,
polas veas virginaes
emperiaes
de que Christo foi humanado.

210 _Z._ Que queres, escomungado?
Mandanos, nam digas mais.

_C._ Minha merce mãda & ordena
que tragais logo essas horas
diante destas senhoras
215 a Troyana Policena
muyto bem atauiada
& concertada,
assi linda como era.

_D._ Quanta pancada te dera
220 se pudera,
mas t̃esma força quebrada.

_C._ Venha por mar ou por terra
logo muyto sem referta.

_Z._ E a terça da offerta
225 tambem pagas pera a guerra?

_C._ Trazei logo a Policena
muy sem pena
com sua festa diante.

_Z._ Inda yraa outro alifante:
230 pagaraas quarto & vintena.

_Vem Policena & diz:_

_P._ Eu que venho aqui fazer?
Oo que gran pena me destes
pois por força me trouxestes
a um nouo padecer:
235 que quem viue sem ventura,
em gram tristura
ver prazeres lhee mais morte.
Oo belenissima corte,
senhora da fermosura!
240 Nam foy o paço Troyano
dino de vosso primor:
vejo hum Priamo mayor
hum Cesar muy soberano,
outra Ecuba mais alta,
245 mui sem falta,
em poderosa, doce, humana,
a quem por Febo & Diana
cada vez Deos mais esmalta.
E vos, Principe excelente,
250 dayme aluisaras liberais,
que vossas mostras são tais
que todo mundo he contente,
e aos planetas dos ceos
mandou Deos
255 que vos dessem tais fauores
que em grandeza sejais vos
prima dos antecessores.
Por vos, mui fermosa flor,
Iffante Dona Isabel
260 Foram juntos em torpel
por mandando do senhor
o ceo & sua companhia
& julgou Jupiter juiz
que fosseis Emperatriz
265 de Castella & Alemanha.
Senhor Iffante Dom Fernãdo,
vosso sino he de prudencia,
Mercurio per excelencia
fauorece vosso bando,
270 sereis rico & prosperado
e descansado,
sem cuydado & sem fadiga,
& sem guerra & sem briga:
isto vos estaa guardado.
275 Iffante Dona Breatiz,
vos sois dos sinos julgada
que aueis de ser casada
nas partes de flor de lis:
mais bem do que vos cuydais,
280 muyto mais,
vos tem o mundo guardado.
Perdey, senhores, cuydado
pois com Deos tanto priuais.

_C._ Que dizeis vos destas rosas,
285 deste val de fermosura?

_P._ Tal fora minha ventura
como ellas sam de fermosas!
Oo que corte tam lozida
& guarnecida
290 de lindezas para olhar!
quem me pudera ficar
nesta gloriosa vida!

_D._ Nesta vida! la acharaas.

_P._ Quem me trouxe a este fado?

295 _D._ Esse zote escomungado
te trouxe aqui onde estaas.
Perguntalhe que te quer
para ver.

_P._ Homem, a que me trouxeste?

300 _C._ Quee? ainda agora vieste
e has me de responder!
Declara a estes senhores,
pois foste damor ferida,
qual achaste nesta vida
305 que é a moor dor das dores,
e se as penas infernaes
se sam aas do amor yguaes,
ou se dam la mais tormentos
dos que ca dam pensamentos
310 e as penas que nos daes.

_P._ Muyto triste padecer
no inferno sinto eu
mas a dor que o amor me deu
nunca a mais pude esqueecer.

315 _C._ Que manhas, que gentileza
ha de ter o bom galante?

_P._ A primeyra he ser constante,
fundado todo em firmeza;
nobre, secreto, calado,
320 soffrido em ser desdañado,
sempre aberto o coração
pera receber payxão
mas nam pera ser mudado.
Ha de ser mui liberal,
325 todo fundado em franqueza,
esta he a mor gentileza
do amante natural:
porque é tam desuiada
ser o escasso namorado
330 como estar fogo em geada
ou hũa cousa pintada
ser o mesmo encorporado.
Ha de ser o seu comer
dous bocados suspirando
335 & dormir meo velando
sem de todo adormecer.
Ha de ter muy doces modos,
humano, cortessa todos,
seruir sem esperar della,
340 que quem ama com cautela
não segue a t̃eçam dos Godos.

_C._ Qual he a cousa principal
porque deue ser amado?

_P._ Que seja mui esforçado,
345 isto he o que mais lhe val.
Porque hum velho dioso,
feo e muyto tossegoso,
se na guerra tem boa fama
com a mais fermosa dama
350 merece de ser ditoso.
Senhores guerreyros, guerreyros!
& vos senhoras guerreyras
bandeyras & não gorgueyras
lauray pera os caualeyros.
355 Que assi nas guerras Troyãs
eu mesma & minhas irmaãs
teciamos os estandartes
bordados de todas partes
com diuisas mui loucaãs.
360 Com cantares e alegrias
dauamos nossos colares
e nossas joias a pares
per essas capitanias.
Renegay dos desfiados
365 & dos pontos enleuados
destruase aquella terra
dos perros arrenegados.
Oo quem vio Pantasileea
com quarenta mil donzellas,
370 armadas como as estrellas
no campo de Palomea.

_C._ Venha aqui: trazeyma ca.

_Z._ Deyxanos yeramaa.

_C._ Ora sus, questais fazendo?

375 _D._ O' diabo que teu encomendo
& quem tal poder te daa.

_Entra Pantiselea e diz:_

_P._ Que quereis e esta chorosa
rainha Pantasilea,
aa penada, triste, fea,
380 pera corte tam fermosa?
Porque me quereis vos ver
diante vosso poder,
rey das grandes marauilhas
que com pequenas quadrilhas
385 venceis quem quereis vencer?
Se eu, senhor, forra me vira,
do inferno solta agora,
e fora de mi senhora,
meu senhor, eu vos seruira,
390 empregara bem meus dias
em vossas capitanias,
& minha frecha dourada
fora bem auenturada
& nam nas guerras vazias.
395 Oo famoso Portugal
conhece teu bem profundo,
pois atee o Polo segundo
chega o teu poder real.
Auante, auante, senhores,
400 pois que com grandes favores
todo o ceo vos fauorece:
el Rey de Fez esmorece,
& Marrocos daa clamores.
Oo deixay de edificar
405 tantas camaras dobradas
Muy pintadas & douradas.
Que he gastar sem prestar.
Alabardas, alabardas!
espingardas, espingardas!
410 Nam queyrais ser Genoeses
senam muyto Portugueses
& morar em casas pardas.
Cobray fama de ferozes,
nam de ricos, que he perigosa,
415 douray a patria vossa
com mais nozes que as vozes.
Auante, auante Lisboa!
que por todo mundo soa
tua prospera fortuna:
420 pois que fortuna temfuna
faze sempre de pessoa.
Archiles, que foy daqui
de perto desta cidade,
chamay-o: diraa a verdade
425 se não quereis crer a mi.

_C._ Ora sus, sus digo eu.

_Z._ Este clerigo he sandeu.
Onde estou que o nam crismo!
oo fideputa judeu
430 queres vazar o abismo?

_Vem Archiles & diz:_

_A._ Quando Jupiter estaua
em toda sua fortaleza
& seu gran poder reynaua
& seu braço dominaua
435 os cursos da natureza;
quando Martes influya
seus rayos de vencimento
& suas forças repartia;
quando Saturno dormia
440 com todo seu firmamento;
e quando o Sol mais lozia
& seus rayos apuraua
& a Lũa aparecia
mais clara que o meo dia;
445 & quando Venus cãtaua,
e quando Mercurio estaua
mais pronto em dar sapiencia;
& quando o ceo se alegraua
& o mar mais manso estaua
450 & os ventos em clemencia;
e quando os sinos estauam
com mais gloria & alegria
& os poolos senfeytauam
& as nuũes se tirauam
445 & a luz resplandecia;
e quando a alegria vera
foy em todas naturezas,
nesse dia, mes & era
quando tudo isto era
460 naceram vossas altezas.
Eu Archiles fuy criado
nesta terra muytos dias
& sam bem auenturado
ver este reyno exalçado
465 & honrrado por tantas vias.
Oo nobres seus naturaes,
por Deos nam vos descudees,
lembreuos que triumphaes;
oo prelados, nam dormais!
470 clerigos, nam murmureis!
Quando Roma a todas velas
conquistaua toda a terra
todas, donas & donzelas,
dauam suas joyas belas
475 pera manter os da guerra.
Oo pastores da Ygreja
moura a ceyta de Mafoma,
ajuday a tal peleja
que açoutados vos veja
480 sem apelar pera Roma.
Deueis devender as taças,
empenhar os breuiayros,
fazer vasos de cabaças
& comer pão & rabaças
485 por vencer vossos contrayros.

_Z._ Assi, assi, aramaa!
dom zote, que te parece?

_C._ E a mi que se me daa?
quem de seu renda nam ha
490 as terças pouco lhe empece.

_A._ Se viesse aqui Anibal
e Eytor e Cepiam
vereis o que vos diram
das cousas de Portugal
495 com verdade & com razam.

_C._ Sus Danor, e tu Zebram:
venham todos tres aqui.

_D._ Fideputa, rapaz, cam,
perro, clerigo, ladram!

500 _Z._ Mao pesar vejeu de ti.

_Vem Anibal, Eytor, Cepiam & diz Anibal:_

_A._ Que cousa tam escusada
he agora aqui Anibal,
que vossa corte he afamada
per todo mundo em geral.

505 _E._ Nem Eytor nam faz mister.

_C._ Nem tampouco Cepiam.

_A._ Deueis, senhores, esperar
em Deos que vos ha de dar
toda Africa na vossa mão.
510 Africa foi de Christãos,
Mouros vola tem roubada:
Capitães, pondelhas mãos,
que vos vireis mais louçãos
com famosa nomeada.
515 Oo senhoras Portuguesas,
gastay pedras preciosas,
donas, donzelas, duquesas,
que as taes guerras & empresas
sam propriamente vossas.
520 É guerra de deuaçam
por honrra de vossa terra,
commettida com rezam,
formada com descriçam
contra aquella gente perra.
525 Fazey contas de bugalhos,
& perlas de camarinhas,
firmaes de cabeças dalhos;
isto si, senhoras minhas,
& esses que tendes daylhos.
530 Oo ̃q nam honrram vestidos
nem muy ricos atauios
mas os feytos nobrecidos,
nam briaes douro tecidos
com trepas de desuarios:
535 dayos pera capacetes.
& vos, priores honrrados,
reparti os Priorados
a soyços & soldados,
_& centum pro vno accipietis_.
540 A renda que apanhais
o milhor que vos podeis
nas ygrejas nam gastais,
aos proues pouca dais,
eu nam sey que lhe fazeis.
545 Day a terça do que ouuerdes
pera Africa conquistar
com mais prazer que poderdes,
que quanto menos tiuerdes
menos tereis que guardar.
550 Oo senhores cidadãos
Fidalgos & regedores
escutay os atambores
com ouuidos de Christãos!
E a gente popular
555 auante! nam refusar!
Ponde a vida & a fazenda,
porque pera tal contenda
ninguem deue recear.

_Todas estas figuras se ordenaram em caracol & a vozes cantaram & representaram o que se segue, cantando todos:_

Ta la la la lam, ta la la la lam.

560 _A._ Auante, auante! senhores!
que na guerra com razam
anda Deos de capitam.

_Cãtã._ Ta la la la lam, ta la la la lam.

_A._ Guerra, guerra, todo estado!
565 guerra, guerra muy cruel!
que o gran Rey Dom Manoel
contra Mouros estaa viado.
Tem promettido & jurado
dentro no seu coraçam
570 que poucos lhescaparão.

_Cãtã._ Ta la la la lam, ta la la la lam.

_Anfalado._ Sua Alteza detremina
por acrescentar a fee
fazer da Mesquita See
575 em Fez por graça diuina.
Guerra, guerra muy contina
he sua grande tençam.

_Cãtã._ Ta la la la lam, ta la la la lam.

_A._ Este Rey tam excelente,
580 muyto bem afortunado,
tem o mundo rodeado
doriente ao Ponente:
Deos mui alto, omnipotente,
o seu real coraçam
585 tem posto na sua mão.

_Cãtã._ Ta la la la lam, ta la la la lam.

_E com esta soyça se sayram e fenece a susodita Tragicomedia._

NOTES:

0. _Era de M.D.xiiij_ A. 1513 C, D, E.

25. _leituairo_ C.

100. _Princepes_ A.

117. _estan_ A.

118. _pocas_ A.

119. _viboras_ C.

131. _Lisó fé_ C.

148. _zobete_ C.

167. _Cardial_ C.

221. _tens-me a_ C.

238. _bellenissima_ C.

260. _tropel_ C.

346. _idoso_ C.

347. _muito socegado_ C.

375. _Ó Diabo qu'eu t'encommendo_ C.

515. _senhores Portugueses_ A.

FOOTNOTES:

[154] This play was omitted in B.

ENGLISH TRANSLATION:

_Exhortation to War._

_Dramatis personae_: A necromancer, ZEBRON and DANOR, devils, POLYXENA, PENTHESILEA, ACHILLES, HANNIBAL, HECTOR, SCIPIO.

_The following tragicomedy is called Exhortation to War. It was played before the very high and noble King Dom Manuel I of Portugal in his city of Lisbon on the departure for Azamor of the illustrious and very magnificent Lord Dom James, Duke of Braganza, Guimarães, etc., in the year 1513._

¶ _A necromancer priest first enters and says:_

Princes of most noble worth,
To whom high renown is given,
Who, victorious on earth,
Are beloved of God in Heaven,
5 I a priest am and my home
Is Portugal,
From the Sibyl's cave I come
Where fumes diabolical
Are distilled and brought to birth.
10 In magic and necromancy
I'm a skilled practitioner,
A most accomplished sorcerer,
Well versed in astrology.
In so many a devil's art
15 Would I have part
That o'er the strongest I'll prevail
And just seize him by the tail
And hand him to prince Luis there.
Sorcerers of past time ne'er
20 Knew the enchantments that I know,
Ways of making love to grow
And of freeing from love's care.
For of hearts I will take one
Harder than stone
25 And will it soft as syrup make,
And so change others, to changes prone,
That nothing shall their firmness shake.
Truly a great wizard I
And great marvels can I work,
30 All the powers of Hell that lurk
Favour me exceedingly,
As deeds impossible shall attest
Of awful shape,
Miracles most manifest
35 Such that all shall see and gape,
Visibly and invisibly.
For I'll make a lady coy,
Though love's guerdon she defer,
If her lover look on her,
40 The very breath of life enjoy;
And two lovers, love's curse under
Kept asunder,
Will I leave to grieve apart,
And achieve by this my art
45 Things at which you'll gaze in wonder.
For a lady most ungainly
For a halfpenny at night
Will I cause without a light
To look nor ill nor well too plainly.
50 To another loveliest,
As star in heaven
Shall this destiny be given
That of noblest men and best
None against her love protest.
55 And the better to display
The perfection of my spell
I'll cause you all to marry well,
That is, I mean, as best you may;
And I'll turn night into day
60 All by this good art of mine,
If the sun should chance to shine,
And, too, light as air shall be
Every foolish fantasy.
I will cause you all to sleep
65 While sleep has you in its keeping,
And I'll cause you to awake
Without therefore the earth quaking;
And a lover by the thorn
Of love forlorn
70 If most real be his love
I will make his fancy prove
Steadfast till it be forsworn.
I will make you wish to see
Things which scarcely can be parried,
75 And when each of you is married
Then truly shall his wedding be.
And I'll make this city stand
Stone o'er stone on either hand,
And that those who do not flourish
80 No prosperity shall nourish.
For my magic art's more proof
I'll bring mighty rains whereat
All the tiles shall lie down flat
Above the houses, on the roof.
85 And the great Cathedral tower
For all its size will I uproot
And despite its special power
Its battlements on high will put,
Its foundation at its foot.
90 In my praise no more be said.
In St Cyprian's name most holy,
Satan, I conjure thee.
(Gentlemen, be not afraid.)

Zeet zeberet zerregud zebet
95 oo filui soter
rehe zezegot relinzet
oo filui soter.

Keys of the depths, abysses rending,
Open up Earth's every pore!
100 Prince of Darkness never-ending,
Show thy great works evermore!
Satan, wheresoe'er thou be,
I conjure thee
By the mighty dragons' breath
105 And the raging lions' roar
And Jehoshaphat's vale of death.
By the smoke that issueth
Poisonous from out thy chair,
By the fire that none may slake,
110 By the torments of thy lake,
From my heart right earnestly
Satan, I conjure thee,
Zezegot seluece soter,
Unto thee my prayer I make,
115 Lucifer, listen to my prayer!
By the mists of liquid fire
That thy regions drear distil,
By the vipers, snakes that fill
All its wells, abysses dire,
120 By the pangs relentlessly
Given by thee
To the prisoners of thy pit,
By the shrieks of those in it
That unceasing echo still,
125 Beelzebub, I thee invite
By the blindness of the Jews
Who the wrong in malice choose
And thereby thy heart delight
rezeegut Linteser
130 zamzorep tisal
siroofee nafezeri.

_The devils Zebron and Danor come and Zebron says:_

_Z._ What's the matter, priest accursed?

_P._ Welcome, brothers, welcome first.

_D._ What now with us wouldst thou have?

135 _P._ That my bidding you should do.

_Z._ By Satan's altar, this thou'lt rue,
Arrogant knave.

_D._ Come, I'll seize him by the hair
And off with his ears at least,
140 For a robber is this priest.

_P._ Hurt me not, good brothers, cease,
Comrades, cousins, friends, I pray.

_Z._ Not two figs for you we care.

_P._ How is Belial to-day?
145 And his court, is it at peace?

_D._ With a box o' the ear chastise him,
Even so will we baptise him
And we'll christen him a fool.

_P._ Come, let's speak more seriously:
150 Are you all quite well and cool?

_Z._ Villain, wineskin, Bacchus' tool,
What has that to do with thee?

_P._ Nay, my powers I'll efface,
Myself abase,
155 Only speak not thus to me.

_D._ Do you hold Landeira's see
Or are you Cartaxo's vicar?

_Z._ He's priest of Lumear, I think,
Mealhada's precentor he,
160 Archpriest of a pint of liquor
Since he ceases not to drink.

_D._ And this chaplain of our town
Is a good Englishman, for mark,
This Ribatejo Patriarch
165 Will drink even a Frenchman down,
And nothing think of it at all.

_Z._ Danor, say, is he Cardinal
Of Arruda or Caparica?

_D._ He has nought left thin or thick
170 Save always his glass of liquor
And a great Archbishopric,
An honour given but to few
Near the boundary stone, the same
On which he sets his diadem,
175 This prelate, and his mitre too.
Dost thou know Seixal, thou thief,
Almada and thereabouts?
Tojal packsaddler, of louts
And of villain knaves the chief.

180 _P._ Devils, will you now in brief
My bidding do
Or must I take other ways with you?

_D._ Cursèd robber, only say
What you'd have and we'll obey.

185 _P._ I command you instantly
By the power of the sky
And the might of God on high,
In whose service priest I am,
I conjure you in His name
190 That you my behests obey
Now straightway,
On the earth and in the air,
Here and there and everywhere.

_Z._ How are the tithes, and--another matter--
195 Is the fine elephant alive
That went to Rome for the Pope to shrive?

_D._ Are your feelings hurt by this chatter?

_P._ Danor, now I conjure thee
By Saint Pol and by Saint Paul
200 Hearken to me.

_Z._ Your intelligence is small.

_P._ Then shall you hark unwillingly.
By the Mother of God most holy
And her heavenly dignity,
205 Her humility on earth
That had power to scale high Heaven,
And her own imperial worth
Whereby in the Virgin birth
The incarnate Christ to earth was given.

210 _Z._ Say no more, accursed knave,
We'll obey: what wouldst thou have?

_P._ 'Tis my will and my desire
That unto those ladies there
This very hour you should have care
215 Polyxena of Troy to bring:
Come she, for beauty's heightening,
In rich attire,
Fair as she was fair of yore.

_D._ With what a thrashing shouldst thou rue it
220 Could I but do it.
But thou hast taken my strength away.

_P._ Let her come by land or sea
Straightway and most peacefully.

_Z._ And as to subscriptions for the war
225 Hast thou any tithe to pay?

_P._ Without delay Polyxena bring
And joyfully
Before her shall you dance and sing.

_Z._ They'll send another elephant yet
230 And you'll have to pay the tax for it.

_Polyxena comes and says:_

_Pol._ Wherefore hither am I come?
O how great my affliction is
Since against my will you bring
Me to further suffering.
235 For he who lives in misery's stress
Can but borrow
From seen pleasures a new sorrow.
But what a fairy court is this
In which beauty has its home!
240 The palace of Troy was not your peer
Nor rival in magnificence,
I see a greater Priam here
Cesar of sovran excellence,
A Hecuba of nobler mien,
245 A flawless queen
In power humanely gentle: hence
Apollo's and Diana's reign
Heaven confirmeth in the twain.
And you, Prince most excellent,
250 Give me liberal reward:
From your promise is none debarred,
It fills all men with content,
And the planets of Heaven's abode
Had word of God
255 That to you be greatness sent
And fortune's favour even more
Than to those who reigned before.
And for you, most lovely flower,
Princess Dona Isabel,
260 The Lord of Heaven in His power
Marshalled in host innumerable
The sky and all its company,
And Jove as judge did then ordain
That as empress you should reign
265 O'er Castille and Germany.
You, O Prince Dom Ferdinand,
Since prudence is your special share
And with favourable wand
Mercury holds you in his arms,
270 Wealth and prosperity shall bless
In quietness
Without toil or any care,
Turmoil or loud war's alarms:
This for you the gods have planned.
275 For you, Princess Beatrice,
Your sure destiny it is
To be married happily
Unto France's fleur-de-lys.
And the world has more in store
280 For you, yea more
Than you imagine shall be given.
Princes, leave all cares of yore
Since you have the ear of Heaven.

_P._ What say you to the roses there
285 And this vale of loveliness?

_Pol._ Would that fortune were no less
Fair to me than they are fair!
How gleams the Court in radiancy,
What an array
290 Of beauty is there here to see!
O that it were given me
Ever in this life to stay!

_D._ In _this_ life! Thine another school.

_Pol._ Who brought me to this destiny?

295 _D._ That excommunicated fool,
Thou camest here at his suggestion.
Ask him what he wants of thee,
Just to see.

_Pol._ Why then have you brought me here?

300 _P._ What, no sooner you appear
Than you would begin to question!
Tell these lordlings instantly,
Since you suffered from love's wound,
What in this life here you found
305 The greatest of all woes to be,
Tell them if the pains of Hell
Be as deep as those of love,
Or if torments there excel
Those that here from love's thoughts well,
310 Griefs that every lover prove.

_Pol._ Awful in intensity
Are Hell's tortures unto me,
Grievously I suffer, yet
Ne'er could I love's wound forget.

315 _P._ What the arts and qualities
That should a true lover grace?

_Pol._ Constancy has the first place
And resolution; and, with these,
Noble must he be, discreet,
320 Silent, patient of disdain
With heart e'er open to love's strain
In passion's service to compete,
But not to change and change again.
And he must be liberal,
325 Generous exceedingly,
Since there is no quality
That for lovers is so meet.
For to a lover avarice
Is as uncongenial
330 As would be a fire in ice
Or if a picture were to be
Itself and its original
For his food he must but take
A mouthful barely, and with sighs,
335 And when he asleeping lies
He must still be half awake.
Very gentle-mannered he,
Humane and courteous, must be
And serve his lady without hope,
340 For he who loveth grudgingly
Proves himself of little scope.

_P._ What his qualities among
Should most bring him love for love?

_Pol._ That he should be brave and strong,
345 That will his best vantage prove.
For a man advanced in years,
Ill-favoured though be and weak,
If name famed in war he bears
Even in the fairest lady's ears
350 Should for him his actions speak.
On, on ye lords, to war, to war!
And ladies not as heretofore
Embroider wimples for your wear
But banners for the knights to bear.
355 For thus amid the wars of Troy
I and my sisters did employ
Our time and all our artifice:
Standards, with many a fair device
Embroidered, did we weave for them;
360 And on them lavished many a gem
And gaily with glad songs of joy
Our necklaces we freely gave,
Tiara and diadem.
Then leave your points and hem-stitch leave,
365 Your millinery and your lace,
And utterly from off earth's face
These renegade dogs destroy.
O to see Penthesilea again
With forty thousand warriors,
370 Armed maidens gleaming like the stars
On the Palomean plain.

_P._ Come bring her here this very hour.

_Z._ Cannot you leave us one instant alone?

_P._ What are you doing? Come on, come on.

375 _D._ To the devil would I see you gone
And whoso gives you this power.

_Penthesilea enters and says:_

_Pen._ What would you of this hapless queen
Penthesilea woe-begone,
Who in tears and sorrow thus appear
380 Ill-favoured in this court's fair sheen?
Why should you wish to see me here
Before your high imperial throne,
Great king of marvels, who alone
With your small armies scatter still
385 Your victories abroad at will?
Were I now, Sir, at liberty,
From Hell's grim dominion free
And mistress of my destiny
I would serve you willingly.
390 All my days would I spend then
With your armies to my gain,
My golden arrow then with zest
Would serve you in a service blest
And not in useless wars and vain.
395 O renownèd Portugal,
Learn to know thy noble worth
Since thy power imperial
Reaches to the ends of Earth.
Forward, forward, lord and knight
400 Since Heaven's favours on you crowd,
Forward, forward in your might
That doth the King of Fez affright,
And Morocco cries aloud.
O cease ye eagerly to build
405 So many a richly furnished chamber,
And to paint them and to gild.
Money so spent will nothing yield.
With halberds only now remember
And with rifles to excel.
410 Not for Genoese fashions strive
But as Portuguese to live
And in houses plain to dwell.
As fierce warriors win renown,
Not for wealth most perilous,
415 Give your country a golden crown
Of deeds, not words that mock at us.
Forward, Lisbon! All descry
Thy good fortune far and nigh,
And the fame thou dost inherit,
420 Since fortune raises thee on high,
Win it sturdily by merit.
Achilles when he went away
From near this city went,
Call him: you'll hear truth evident
425 If you doubt what I have said.

_P._ Let him come up, come up, I say.

_Z._ This priest has gone quite off his head.
I don't know what I am about
That I don't give the Jew a clout:
430 Would you empty Hell of its dead?

_Achilles comes and says:_

_A._ When Jupiter in all his might
Was seated on his throne
And in his strength ordered aright
By his right hand alone
435 The courses of the day and night;
And warrior Mars to Earth had lent
His bolts of victory
And parted with his armament;
When Saturn still slept peacefully
440 With all his firmament;
When the Sun shone with clearer light
And an intenser ray
And the Moon's beams illumed the night,
More brightly than noonday,
445 And Venus sang her loveliest lay;
When wisdom, that he now doth keep,
Was given by Mercury,
And mirth flashed o'er the heaven's steep
And the winds were gently hushed asleep
450 And a calm lay on the sea;
When joy and fame together checked
The hands of destiny
And glory's flags the poles bedecked
And the heavens, by no clouds beflecked,
455 Gleamed in their radiancy;
When every heart with unfeigned cheer
Was merry upon Earth,
In that day and month and year,
When all these portents did appear,
460 Your Highnesses had birth.
Now I, Achilles, in my youth
Lived here for many days
And happy am I in good sooth
To see the kingdom's splendid growth
465 Honoured in countless ways.
Its noble sons these honours reap,
But let no careless strain
Prevent you what you win to keep;
Ye prelates, 'tis no time for sleep!
470 Ye priests, do not complain!
When mighty Rome was in full sail
Conquering all the Earth
The girls and matrons without fail,
That so the soldiers should prevail,
475 Gave all their jewels' worth.
Then O ye shepherds of the Church
Down, down with Mahomet's creed!
Leave not the fighters in the lurch!
For if to scourge yourselves you speed
480 Then Rome may spare the birch.
You should sell your chalices,
Yes and pawn your breviaries,
Turn your gourds into flasks, and e'er
Of bread and parsnips make your fare,
485 To vanquish thus your enemies.

_Z._ Aha, aha. A splendid rule!
What do you think of that, Sir Fool?

_P._ What is't to me? what should I care?
For he who has no revenues
490 Can by the tithes but little lose.

_A._ If hither came but Hannibal,
Hector and Scipio
You shall see what they will show
Of the things of Portugal,
495 What reason and truth would have you know.

_P._ Come Danor, and Zebron, hither
Bring all three of them together.

_D._ Rascal cleric, villain, cur,
Thief, dog, that I for you should stir!

500 _Z._ May a curse your power wither!

_Hannibal, Hector and Scipio come, and Hannibal says:_

_Han._ Easily you might forego
Poor Hannibal's presence here,
For your Court's fame far and near
The furthest of Earth's regions know.

505 _Hect._ Nor need Hector here appear.

_S._ Nor is there room for Scipio.

_Han._ Sirs, you should trust in God, that he
All Africa presently
Will reduce beneath your sway.
510 Africa was Christian land,
Moors have ta'en your own away.
To the work, Captains, set your hand,
For so with clearer ray shall burn
Your renown when you return.
515 And, O ladies of Portugal,
Spend, spend jewel and precious stone,
Duchesses, ladies, maidens, all
Since such enterprises shall
Properly be yours alone.
520 A religious war it is
For the honour of your land,
Against those vile enemies,
Undertaken reasonably
And with good discretion planned.
525 Of beads be every rosary,
Each pearl replaced by bilberry,
Brooches of the heads of leek;
Such ornaments, my ladies, seek
And those you have give every one.
530 For little honour now is there
In dresses and adornments fair,
Honour give noble deeds alone,
Not costly robes inwrought with gold
And pranked with trimmings manifold:
535 Give these now to help helmets make.
And ye, good priors, I bid you take
And divide all that you hold
Among the soldiers of the guard
And great shall be your reward.
540 For of the income you obtain
By whatever means you may
The churches have but little gain,
And from alms you still abstain:
How you spend it who shall say?
545 For the conquest of Africa
Give a tithe of your possessions,
Give it, if you can, with pleasure,
For the less you have of treasure
The less need you fear oppressions.
550 And O rulers and noblemen,
Yea and every citizen,
Listen, listen to the drums,
Hark to them with Christian ears!
And ye people, hold not back,
555 Forward, forward to the attack!
Give your lives and your incomes,
For in such a conflict holy
None should harbour any fears.

_All these figures ordered themselves in winding circles and by turns sang and acted the following, all singing:_

Ta la la la lam, ta la la la lam.

560 _Hannibal._ On, on! go forward, lord and knight,
Since in war waged for the right
God as Captain leads the fight.

_They sing._ Ta la la la lam, ta la la la lam.

_H._ To war, to war, both rich and poor,
565 To war, to war, most ruthlessly
Since the great King Manuel's wrath
Is gone forth against the Moor.
And he sworn and promised hath
In his inmost heart that he
570 Will destroy them from his path.

_They sing._ Ta la la la lam, ta la la la lam.

_H._ And his Highness for a sign
Of our Holy Faith's increase
Wills that at Fez by grace divine
575 The mosque shall a cathedral be.
War, war ever without cease
Is his purpose mightily.

_They sing._ Ta la la la lam, ta la la la lam.

_H._ This our King most excellent
580 And with great good fortune blest
Is lord of every continent
From the East unto the West:
And the high God omnipotent
In his gracious keeping still
585 Guards his royal heart from ill.

_They sing._ Ta la la la lam, ta la la la lam.

_And with this chorus they went out and the above Tragicomedy ends._

FARSA DOS ALMOCREVES

_Farça dos Almocreves._

_Esta seguinte farsa foy feyta & representada ao muyto poderoso & excelente Rey dom Ioam o terceyro em Portugal deste nome na sua cidade de Coimbra na era do S̃ehor de MDXXVI. Seu fundamento he que hum fidalgo de muyto pouca renda vsaua muyto estado, tinha capelam seu & ouriuez seu, & outros officiaes, aos quaes nunca pagaua. E vendose o seu capelam esfarrapado & sem nada de seu entra dizendo:_

_Capelã._ ¶ Pois que nam posso rezar
por me ver tão esquipado
por aqui por este Arnado
quero hum pouco passear
por espaçar meu cuydado,
e grosarey o romance
de Yo me estaba en Coimbra
pois Coimbra assim nos cimbra
que nam ha quem preto alcance.
10 ¶ Yo me estaba en Coimbra
cidade bem assentada,
pelos campos de Mondego
nam vi palha nem ceuada.
Quando aquilo vi mezquinho
entendi que era cilada
contra os cauallos da corte
& minha mula pelada.
Logo tiue a mao sinal
tanta milham apanhada
20 e a peso de dinheiro:
ó mula desemparada!
Vi vir ao longo do rio
hũa batalha ordenada,
nam de gentes mas de mus,
com muita raya pisada.
A carne estaa em Bretanha
& as couves em Biscaya.
Sam capelam dum fidalgo
que nam tem renda nem nada;
30 quer ter muytos aparatos
& a casa anda esfaymada,
toma ratinhos por pag̃es
anda ja a cousa danada.
Querolhe pedir licença,
pagueme minha soldada.

¶ _Chega o capelam a casa do fidalgo, & falando com elle diz:_

_Cap._ ¶ Senhor, ja seraa rezam.

_Fid._ Auante, padre, falay.

_C._ Digo que em tres annos vay
que sam vosso capelam.

40 _F._ He grande verdade, auante.

_C._ Eu fora ja do ifante,
e podera ser del Rey.

_F._ A bofé, padre, não sey.

_C._ Si, senhor, que eu sou destante
Aindaque ca mempreguei.
¶ Ora pois veja, senhor,
que he o que me ha de dar,
porque alem do altar
seruia de comprador.

50 _F._ Nam volo ey de negar.
Fazeyme hũa petiçam
de tudo o que requereis.

_C._ Senhor, nam me perlongueis,
que isso nam traz concrusam
nem vejo que a quereis.
¶ Porque me fiz polo vosso
clericus & negoceatores.

_F._ Assi vos dey eu fauores
& disso pouco que eu posso
60 vos fiz mais que outros señores.
Ora um clerigo que mais quer
de renda nem outro bem
que darlhe homem de comer,
que he cada dia hum vintem,
& mais muyto a seu prazer?
¶ Ora a honrra que se monta:
he capelam de foam!

_C._ E do vestir nam fazeis conta,
& esse comer com payxam,
70 & dormir com tanta afronta
que a coroa jaz no cham
sem cabeçal, e aa hũa hora,
& missa sempre de caça?
& por vos cayr em graça
serviauos tambem de fora,
atee comprar sibas na praça;
¶ E outros carregozinhos
desonestos pera mi.
Isto, senhor, he assi.
80 & azemel nesses caminhos,
arre aqui & arre ali,
& ter carrego dos gatos
& dos negros da cozinha
& alimparvolos çapatos
& outras cousas que eu fazia.

_F._ ¶ Assi fiey eu de vos
toda a minha esmolaria
& daueis polo amor de Deos
sem vos tomar conta hum dia.

90 _C._ Dos tres annos que eu alego
dalaey logo sem pendenças:
mandastes dar a hum cego
hum real por Endoenças.

_F._ Eu isso nam volo nego.

_C._ ¶ E logo dahi a um anno
pera ajuda de casar
hũa orfaã mandastes dar
meo couado de pano
Dalcobaça por tosar.
100 E nos dous annos primeyros
repartistes tres pescadas
por todos estes mosteyros
na Pederneyra compradas
daquestes mesmos dinheyros.
¶ Ora eu recebi cem reaes
em tres annos, contay bem,
tenho aqui meo vintem.

_F._ Padre, boa conta daes,
ponde tudo num item
110 & falay ao meu doutor
que elle me falaraa nisso.

_C._ Deyxe vossa Merce ysso
pera el Rey nosso senhor,
& vos falay me de siso.
Que coma, senhor, me ficastes
ysto dentro em Santarem
de me pagardes muy bem.

_F._ Em quantas missas machastes?
das vossas digo eu porem.

120 _C._ Que culpa vos tem çamora?
Por vos estam ellas nos çeos.

_F._ Mas tomay as pera vos
& guarday as muytembora,
entam paguevolas Deos.
¶ Que eu não gasto meus dinheyros
em missas atabalhoadas.

_C._ & vos fazeys foliadas
& nam pagaes o gaiteyro?
Isso sam balcarriadas.
130 se vossas merces nam ham
cordel pera tantos nos
vyuey vos a aquem de vos
& nam compreis gauiam
pois que não tendes pios.
¶ Uos trazeis seis moços de pee
& acrecentaylos a capa
coma Rey, & por merce,
nam tendo as terras do Papa
nem os tratos de Guine:
140 antes vossa renda encurta
coma pano Dalcobaça.

_F._ Tudo o fidalgo da raça
em que a renda seja curta
he per força que isso faça.
¶ Padre, muy bem vos entendo:
foy sempre a vontade minha
daruos a el Rey ou ha Raynha.

_C._ Isso me vay parecendo
bom trigo se der farinha.
150 Senhor, se misso fizer
grande merce me faraa.

_F._ Eu vos direy que seraa:
dizey agora hum profaceo, a ver
que voz tendes pera laa.

_C._ Folgarey eu de o dizer,
mas quem me responderaa?

_F._ Eu. _C._ Per omnia secula seculorum.

_F._ Am̃e. _C._ Dominus vobiscum.

_F._ Auante. _C._ Sursum corda.

160 _F._ Tendes essa voz tam gorda
que pareceis Alifante
depois de farto daçorda.

_C._ ¶ Pior voz tem Simão vaz
tesoureyro e capelam,
& pior o Adayam
que canta como alcatraz,
e outros que por hi estam.
Quereys que acabe acantiga
& vereys onde vou ter.

170 _F._ Padre, eu ey de ter fadiga,
mas del Rey aueis de ser,
escusada he mais briga.

_C._ ¶ Sabeis em que estaa a contenda?
direys: he meu capelam.
& el Rey sabe a vossa renda
& rirse ha, se vem aa mam,
& remetermaa aa Fazenda.

_F._ Se vos foreis entoado.

_C._ Que bem posso eu cantar
180 onde dam sempre pescado
& de dous annos salgado,
o pior que ha no mar?

¶ _Vem um pagem do fidalgo & diz:_

_Pag._ ¶ Senhor, o oriuez see alli.

_F._ Entre. Quereraa dinheyro.
Venhaes embora, caualeyro,
cobri a cabeça, cobri.
Tendes grande amigo em mi
& mais vosso pregoeyro.
Gabeyuos ontem a el Rey
190 quanto se pode gabar.
& sey que vos ha dacupar,
& eu vos ajudarey
cada vez que mi achar:
¶ Porque aas vezes estas ajudas
sam milhores que cristeis,
porque soo a fama que aueis
& outras cousas meudas
o que valem ja o sabeis.

_Our._ Senhor eu o seruirey
200 & nam quero outro senhor.

_F._ Sabeis que tendes milhor,
eu o disse logo a el Rey
& faz em vosso louvor,
¶ Não vos da mais ̃q vos pagũe
que vos deyxem de pagar.
Nunca vi tal esperar
nunca vi tal auantagem
nem tal modo dagradar.

_O._ Nossa conta he tam pequena,
210 & ha tanto que he deuida,
que morre de prometida,
& peçoa ja com tanta pena
que depenno a minha vida.

_F._ ¶ Ora olhay ese falar
como vay bem martelado!
Folgo nam vos ter pagado
por vos ouuir martelar
marteladas dauisado.

_O._ Senhor, beyjovolas mãos
220 mas o meu queria eu na mão.

_F._ Tambem isso he cortesam:
'Senhor, beyjovolas mãos,
o meu queria eu na mão.'
Que bastiães tam louçãos!
¶ Quanto pesaua o saleyro?

_O._ Dous marcos bem, ouro & fio.

_F._ Essa he a prata: & o feitio?

_O._ Assaz de pouco dinheyro.

_F._ Que val com feytio & prata?

230 _O._ Justos noue mil reaes.
& nam posso esperar mais
que o vosso esperar me mata.

_F._ Rijamente mapertaes.
E fazeisme mentiroso,
que eu gabeyuos doutro geyto
& seu tornar ao deffeito
nam seraa proueyto vosso.

_O._ Assi que o meu saleyro peito?

_F._ Elle he dos mais maos saleiros
240 que eu em minha vida comprey.

_O._ Ainda o eu tomarey
a cabo de tres Janeyros
que ha que volo eu fiey.

_F._ ¶ Jagora não he rezam:
eu nam quero que vos percais.

_O._ Pois porque me nam pagais?
Que eu mesmo comprey caruão
com que mencaruoiçaes.

_F._ Moço vayme ver que faz el Rey,
250 se parecem damas la,
este dia nam se va
em pagaraas, nam pagarey.
& vos tornay outro dia ca
se nam achardes a mi
falay com o meu Camareyro
porque elle tem o dinheyro
que cadano vem aqui
da renda do meu celeyro,
e delle recebereys
260 o mais certo pagamento.

_O._ E pagaisme ahi co vento
ou co as outras merces?

_F._ Tomaylhe vos la o tento.

¶ _Indose o capelam vay dizendo:_

_C._ ¶ Estes ham dir ao parayso?
nam creo eu logo nelle.
Eu lhes mudarey a pelle:
daqui auante siso, siso,
juro a Deos queu mabruquele.

¶ _Vem o pagem com recado e diz:_

_P._ ¶ Senhor, in Rey see no paço.

270 _F._ Em ̃q casa?

_P._ Isto abasta.

_F._ O recado que elle da!
ratinho es de maa casta.

_P._ Abõda, bem sey eu o ̃q eu faço.

_F._ Abonda! olhay o vilam.
Damas parecem per hi?

_P._ Si, senhor, damas vi,
andauam pelo balcam.

_F._ ¶ E qũe erã?

_P._ Damas mesmas.

_F._ Como as chamã?

_P._ Nam as chamaua ñigũe.

280 _F._ Ratinhos sã abãtesmas
& quem por pag̃es os tem.
Eu ey de fazer por auer
hum pagem de boa casta.

_P._ Ainda eu ey de crecer,
castiço sam eu que basta
se me Deos deyxar viuer.
¶ Pois o mais deprenderey
como outros como eu peri.

_F._ Pois fazeo tu assi,
290 porque has de ser del Rey,
moço da camara ainda.

_P._ Boa foy logo ca vinda.
Assi que atee os pastores
ham de ser del Rey samica!
Por isso esta terra he rica
de pão, porque os lauradores
fazem os filhos paçãos:
¶ Cedo não ha dauer vilãos,
todos del Rey, todos del Rey.

300 _F._ E tu zõbas?

_P._ Nam mas antes sey
que tambem alguns Christãos
hã de deyxar a costura.

¶ _Torna o capelam._

_C._ ¶ Vossa merce per ventura
falou ja a el Rey em mi?

_F._ Ainda geyto nam vi.

_C._ Nam seja tam longa a cura
como o tempo que serui.

_F._ Anda el Rey tam acupado
co este Turco, co este Papa,
310 co esta França, co esta trapa
que nam acho vao aazado
porque tudo anda solapa.
Eu entro sempre ao vestir,
porém para arrecadar
ha mister grande vagar.
Podeis me em tanto seruir
atee que eu veja lugar.

_C._ Senhor queria concrusam.

_F._ Concrusam quereis? Bem, bem,
320 concrusam ha em alguem.

_C._ Concrusam quer concrusam,
& nam ha concrusam em nada.
Senhor, eu tenho gastada
hũa capa & hum mantam:
pagayme minha soldada.

_F._ Se vos podesseis achar
a altura de Leste a Oeste,
pois nam tendes voz que preste,
perequi era o medrar.

330 _C._ & vos pagaisme co ar?
Mão caminho vejo eu este.

¶ _Vayse._

_P._ Deueo el Rey de tomar
que luta como danado:
elle é do nosso lugar,
de moço guardaua gado
agora veo a bispar.
¶ Mas nam sinto capelam
que lhe chãte hum par de quedas,
e chamase o labaredas.

340 _F._ E ca chamase cotão,
mais fidalgo que os azedas.
Satisfaçam me pedia,
que he pior de fazer
que queymar toda Turquia,
porque do satisfazer
naceo a melanconia.

¶ _Vem Pero vaz, almocreue, que traz hum pouco de fato do fidalgo & vem tangendo a chocalhada & cantando:_

¶ A serra he alta, fria & neuosa,
vi venir serrana, gentil, graciosa.

Falando.

¶ Arre mulo namorado
350 que custaste no mercado
sete mil & nouecentos
& hum traque pera o siseyro.
Apre ruço, acrecentado
a moradia de quinhentos
paga per Nuno ribeyro.
Dix pera a paga & pera ti.
Arre, arre, arre embora
que ja as tardes sam damigo,
apre besta do roim,
360 uxtix, o atafal vay por fora
& a cilha no embigo.
Sam diabos pera os ratos
estes vinhos da candosa.

Canta.

¶ A serra he alta, fria & neuosa,
vi venir serrana, gentil, graciosa.

Fala.

¶ Apre ca yeramaa
que te vas todo torcendo
como jogador de bola.
Huxtix, huxte xulo ca,
370 que teu dou yraas gemendo
e resoprando sob a cola.
Aa corpo de mi tareja
descobrisuos vos na cama.
Parece? dix pera vossa ama,
nam criaraas tu hi bareja.

Canta.

¶ Vi venir serrana g̃etil graciosa,
chegueime pera ella con grã cortesia.

Fala.

Mandovos eu sospirar
pola padeyra Daueiro,
380 que haueis de chegar aa venda
& entam ali desalbardar
& albardar o vendeyro
senam teuer que nos venda
vinho a seis, cabra a tres,
pam de calo, fillhos de mãteyga,
moça fermosa, l̃eçoes de veludo,
casa juncada, noyte longa,
chuua com pedra, telhado nouo,
a candea morta & a gaita a porta.
390 Apre, zambro, empeçarás?
Olha tu nam te ponha eu
oculos na rabadilha
& veraas por onde vas.
Demo que teu dou por seu
& andaraas la de silha.
¶ Chegueime a ella de grã cortesia,
disselhe: Señora, quereis cõpanhia?

¶ _Vem Vasco afonso, outro almocreve, & topam se ambos no caminho & diz Pero vaz:_

_P._ ¶ Ou, Vasco Afonso, onde vas?

_V._ Huxtix, per esse cham.

400 _P._ Nam traes chocalhos nem nada?

_V._ Furtarão mos la detras
na venda da repeydada.

_P._ Hi bebemos nos aa vinda.

_V._ Cujo he o fato, Pero vaz?

_P._ Dum fidalgo, dou oo diabo
o fato & seu dono coelle.

_V._ Valente almofreyxe traz.

_P._ Tomo o mu de cabo a rabo.

_V._ Par deos carrega leua elle.

410 _P._ ¶ Uxtix, agora nam paceram elles
& la por essas charnecas
vem roendo as vrzeyras.

_V._ Leixos tu, Pero vaz, que elles
acham aqui as eruas secas
& nam comem giesteyras.
& quanto te dam por besta?

_P._ Nam sey, assi Deos majude.

_V._ Nam fizeste logo o preço?
mal aas tu de liurar desta.

420 _P._ Leyxeyo em sua virtude,
no que elle vir que eu mereço.

_V._ ¶ Em sua virtude o deixaste?
& trala elle com sigo
ou ha dir buscala ainda?
Oo que aramaa te fartaste!
Queres apostar comigo
que te renegues da vinda?

_P._ Elle pos desta maneyra
a mão na barba & me jurou
430 de meus dinheyros pagalos.

_V._ Essa barba era inteyra
a mesma em que te jurou
ou bigodezinhos ralos?

_P._ ¶ Ora Deos sabe o que faz
& o juiz de çamora:
de fidalgo he manter fee.

_V._ Bem sabes tu, Pero vaz,
que fidalgo ha jagora
que nam sabe se o he.
440 Como vay a ta molher
& todo teu gasalhado?

_P._ O gasalhado hi ficou.

_V._ E a molher? _P._ Fugio. _V._ Nam pode ser.
Como estaraas magoado,
yeramaa. _P._ Bofa nam estou.
¶ Huxtix, sempre has dandar
debayxo dos souereyros?
& a mi que me da disso?

_V._ Per força ta de pesar
450 se rirem de ti os vendeyros.

_P._ Nam tenho de ver co isso.
¶ Vay, Vasco afonso, ao teu mu
que se quer deytar no cham.

_V._ Pesate mas desingulas.

_P._ Nam pesa: bem sabes tu
que as molheres nam sam
todo o verã senã pulgas.
Isto quanto aa saudade
que eu della posso ter;
460 & quanto ao rir das gentes
ella faz sua vontade:
foyse perhi a perder
& eu nã perdi os dentes.
¶ Ainda aqui estou enteyro,
Vasco afonso, como dantes,
filho de Afonso vaz
e neto de Jam diz pedreyro
& de Branca Anes Dabrantes,
nam me faz nem me desfaz.
470 Do que me fica gram noo
que teue rezam de se hir
& em parte nam he culpada;
porque ella dormia soo
& eu sempre hia dormir
cos meus muus aa meyjoada.
¶ Queria a eu yr poupando
pera la pera a velhice
como colcha de Medina
& ella mosca Fernando
480 quando vio minha pequice
foy descobrir outra mina.

_V._ E agora que faraas?

_P._ Yrey dormir aa Cornaga
e aamenhaã aa Cucanha.
E tu vay, embora vas,
que eu vou seruir esta praga
& veremos que se ganha.

¶ _Vai cantando._

¶ Disselhe: señora ̃qreis cõpanhia?
Dixeme: escudeyro segui vossa via.

490 _Pag._ Senhor, o almocreue he ãqlle
que os chocalhos ouço eu,
este he o fato, senhor.

_Fid._ Ponde todos cobro nelle.

_Per._ Uxtix mulo do judeu.
O fato hu saa de por?

_Pa._ Venhaes embora, pero vaz.

_Pe._ Mãtenha deos vossa merce.

_Pa._ Viestes polas folgosas?

_Pe._ Ahi estiue eu oje faz
500 oyto dias pee por pee
em casa de hũas tias vossas.

_Pa._ Ora meu pai que fazia?

_Pe._ Cauaua andando o bacelo
bem cansado e bem suado.

_Pa._ E minha mãy?

_Pe._ Leuaua o gado
la pera val de cubelo,
mal roupada que ella ia.
Huxtix, que mao lambaz.
& vossa merce que faz?

510 _Pa._ Estou louçam coma que.

_Pe._ E abofee creceis açaz,
saude que vos Deos dee.

_Pa._ ¶ Eu sou pagem de meu senhor,
se Deos quiser pagem da lança.

_Pe._ E hum fidalgo tanto alcança?
Isso he Demperador
ora prenda el Rey de França.

_Pa._ Ainda eu ey de perchegar
a caualeyro fidalgo.

520 _Pe._ Pardeos, João crespo penaluo,
que isso seria esperar
de mao rafeyro ser galgo.
¶ Mais fermoso estaa ao vilam
mao burel que mao frisado
& romper matos maninhos,
& ao fidalgo de naçam
ter quatro homes de recado
e leyxar laurar ratinhos;
que em Frandes & Alemanha
530 em toda França & Veneza,
que vivem por siso e manha
por nam viver em tristeza;
¶ nam he como nesta terra.
Porque o filho do laurador
casa la com lauradora
& nunca sobem mais nada;
& o filho do broslador
casa com a brosladora,
isto por ley ordenada.
540 E os fidalgos de casta
seruem os Reis & altos senhores
de tudo sem presunçam,
tam chãos ̃q pouco lhes basta;
& os filhos dos lauradores
pera todos lauram pam.

_Pa._ ¶ Quero hir dizer de vos.

_Pe._ Ora yde dizer de mi;
que se grave he Deos dos ceos
mais graves deoses ha qui.

550 _Pa._ Senhor ali vem o fato
& estaa ha porta o almocreue,
vede quem lha a de pagar
isso tal que se lhe deue.

_F._ ¶ Isto he com que meu mato.
quem te manda procurar?
Atenta tu polo meu
& arrecado muyto bem
& nam cures de ninguem.

_Pa._ Elle he dapar de Viseu
560 & homem que me pertem,
pois a porta lhabri eu.

¶ _Entra dentro o almocreue & diz:_

¶ _Pe._ Senhor, trouxe a frascaria
do vossa merce aqui.
Hi estam os mus albardados.

_Fid._ Essa he a mais nova arauia
d'almocreue que eu vi:
dou-te vinte mil cruzados.

_Pe._ Mas pagueme vossa merce
o meu aluguer, no mais,
570 que me quero logo hir.

_F._ O aluguer quanto he?

_Pe._ Mil & seis centos reaes,
& isto por vos seruir.

_F._ ¶ Falay co meu azemel,
porque he doutor das bestas
& estrologo dos mus:
que assente em hum papel
per aualiações honestas
o que se monta, ora sus;
580 porque esta he a ordenança
& estilo de minha casa.
& se o azemel for fora,
como cuydo que he em França,
dareis outra volta aa massa
& hiruos eis por agora.
¶ Vossa paga he nas mãos.

_Pe._ Ja a eu quisera nos pees,
oo pesar de minha mãy!

_F._ E tens tu pay & yrmãos?

590 _Pe._ Pagay, senhor, não zombeis,
que sam dalem da sertãy
& nam posso ca tornar.

_F._ Se ca vieres aa corte
pousaraas aqui cos meus.

_Pe._ Nunca mais ey de fiar
em fidalgo desta sorte,
em que o mande sam Mateus.

_F._ ¶ Faze por teres amigos
& mais tal homem comeu
600 porque dinheyro he hum vento.

_Pe._ Dou eu ja oo demo os amigos
que me a mi levam o meu.

¶ _Vayse o almocreue & vem outro Fidalgo & diz o fidalgo primeyro:_

_F. 1^o._ ¶ Oo que grande saber vir
& que gram saber maa vontade.

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Four Plays of Gil VicenteChapter IV: Originality and Influence (3)

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